O hábito não faz o monge! Ou, o lobo com pele de cordeiro?!

Aqui estão dois aforismos que se aplicam com propriedade a Nuno Crato. Veste a pele de quem se preocupa com a educação mas não perdeu a oportunidade para a aniquilar, no que diz respeito à nossa população adulta. Acaba de desferir a estocada com que remata a sorte da Iniciativa Novas Oportunidades, numa corrida cujo desfecho já se conhecia ainda o matador não tinha pisado a arena.

Educação e Formação de Adultos é coisa que não lhe interessa! Interessa-lhe instruir adultos, ou melhor, formatá-los para que se tornem “úteis”. Interessa-lhe treinar e reproduzir gente acrítica e suficientemente capaz de corresponder às necessidades do mercado. Interessa-lhe adestrar para a qualidade de contribuinte, que as qualidades de pessoa e de cidadão são secundárias. Interessa-lhe o quociente adulto/PIB e nada de humanismo que o desenvolvimento humano pouco contribui para as finanças.

Não é o doutoramento, nem muita verborreia na praça pública, nem muita divulgação científica (a la Crato!!!!) que conferem inteligência, visão, capacidade de aprender e ensinar, capacidade de liderar. Por isso Nuno Crato continua a ser um bruto intelectual. E um bruto preconceituoso, surdo, inflexível, que convive com o poder autocrático, como Crato, é cretino!

Crato não será o único responsável pelo poder destrutivo da atual ordem, em matéria de educação/formação (e não só!). Embora a cretinice não se explique certamente pela debilidade cognitiva, deve-se, sem dúvida, à visão neoliberal, conservadora e mecanicista do papel da Escola, do sistema educativo e do Estado e, sobretudo, à debilidade de carácter de quem atua mais por obediência à ordem instituída que pela convicção fundamentada no estudo aprofundado das questões.

Estamos nas mãos de tecnocratas imaturos que tomam decisões com base numa visão deturpada da vida real e no preconceito ideológico. E isto também é válido para Crato, apesar de ser o ministro que viveu mais tempo!

Cheguei ao extremo! Deposito mais esperança no governo francês que no nosso. Pelo menos, se ainda não obrigou a Europa a uma alteração de práticas, já a obrigou a uma alteração do discurso. Por cá ainda continuamos surdos… e brutos!

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Nota: Esta minha reflexão vem na sequência a avaliação à Iniciativa Novas Oportunidades encomendada pelo ministro Nuno Crato que está acessível aqui: http://www.portugal.gov.pt/media/599104/2012_avaliacao_rvcc.pdf